2 out

KIAI

kiai

 

A palavra “Kiai” muito utilizada por praticantes de artes marciais, tem significado muito mais profundo do que simplesmente traduzi-la como “Grito”.

O ki pode ser traduzido como, energia universal que governa toda a vida, fonte de energia inerente à raça humana (energia das energias). A existência do Ki e a maneira de controle dessa energia, sempre foram associadas às artes marciais que por sua vez acabou por monopolizar, dando a ideia que pessoas comuns não têm a possibilidade de aspirar. De qualquer forma esse é um pensamento errado, pois a energia Ki está em toda atividade do homem.

Fisiologicamente podemos descrever o Kiai ou “grito” como contração do diafragma com a qual acompanhamos um ataque ou defesa particularmente intensos. Na realidade essa maneira de buscar energia extra para realizar algum trabalho que necessite de uma força a mais no final é comum.

Etimologicamente Kiai está composta por dois ideogramas, 気 ki e 合 ai.

Ki – significando mente, espírito e Ai – união, concentração, literalmente Kiai é a união do espírito e da mente para se alcançar algo, nos indica a conjunção que se pretende conseguir e que não se limita a um mecanismo físico ou gesto supressivo. Essa combinação de Ki + Ai, denota uma condição nas quais duas mentes estão unificadas de tal maneira que a mais forte controla a mais fraca. Psicologicamente, esta é a arte de concentrar toda energia mental num só objeto e fisicamente, é a arte da respiração profunda e prolongada para nutrir a vida.

As artes marciais estão divididas em muitos ramos, mas, o Kiai é a vida de todas elas, sem kiai, nenhuma chegará à perfeição ou resultado desejado. Para o guerreiro japonês, o segredo reside no Kiai, não é o combatente que consegue o controle sobre seu antagonista e vence, não é a arte ou luta senão o Kiai que brinda o combatente com o poder de conseguir o controle.

Yamoaka Tesshu, maior esgrimista de seu tempo revela:

“Não fixe tua mente na atitude que assume teu rival, nem assuma como tua, nem tão pouco com sua espada. Ao contrário fixe tua mente em teu saika tandem (região do abdômen abaixo do umbigo) e nem pense em golpear teu oponente e nem receber um golpe por parte dele. afaste todo desígnio especifico e precipite-se no ataque, no momento em que vejas a teu inimigo, no ato de bramir a espada sobre tua cabeça”

Agora, consideremos o Kiai em conexão com a respiração. Quando se expele o ar dos pulmões, sente-se relaxar com os músculos e ossos enquanto que ao chegar aos pulmões, o abdome se contrai se há consciência do fenômeno oposto. Ao expelir o ar, se perde viogor, enquanto que ao inalar se ganha força. Na  linguagem isotérica japonesa, a última condição é chamada “Plenitude” (Jitsu) e a primeira ”Vacuidade” (Kyo). Atacar a vacuidade com plenitude é um meio seguro de obter vitória assegurada. Ao menos, assim é a teoria.

Olhando sob esta luz, kiai deve ser considerado sinônimo do ato de respirar.

fontes:
Severino, Prof. Roque Enrique. O Espírito das artes marciais.2010. Ed. Nelpa. São Paulo.
Curso pratico de artes marciais, Ed. Século Futuro. 1990. Rio de Janeiro.


Autor: Ms. Claudio Ribeiro é Terapeuta holístico, Educador físico, filósofo, psicopedagogo, mestre em artes marciais


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1 mar

A Arte Marcial como uma alternativa frente ao estresse

artes marciais

 

Sempre me é perguntado: é possível através de um estilo de arte marcial encontrar uma alternativa de saúde frente ao estresse?

Penso que esta pergunta vem de encontro com o que a grande maioria das pessoas pensa sobre as artes marciais, ou seja, as artes marciais, devido a seus treinamento austeros, distressam!

Bem, para responder a essa pergunta faz se necessário esclarecer que existe o estresse positivo (eustresse), aquele que estimula a pessoa a lidar com determinadas situações, se superando e assim atingindo objetivos traçados, enquanto que o estresse negativo (distresse) acovarda o individuo e faz com que esse fuja das situações difíceis e ainda intimida-se diante de problemas.

As artes marciais ajudam a canalizar as tensões, aumenta autoestima, dessa maneira ajuda a equilibrar as emoções frente a qualquer tipo de problema.

A prática regular e o contato com pessoas de diferentes propósitos dentro do “dojo’ (local para a prática do caminho) amadurece o indivíduo, que aprende a conviver com as diferenças e a combater o estresse.

Combate o estresse por não estimular (ou mesmo conter) a violência, acalmar o espírito (e consequentemente o corpo), cuja rotina está em harmonizar-se com os princípios da natureza, onde a lei é a de menor tensão possível, de forma a executar graciosamente seu movimento acompanhado de uma respiração cadenciada, facilitando a responder com racionalidade aos problemas.

Não podemos considerar que a prática das artes marciais seja remédio para cura de todo os males, no entanto, praticar artes marciais leva as pessoas a viver melhor a vida.

Pessoas que tem espírito perturbado, “olham, mas não veem; escutam, mas não ouvem; e comem, mas não saboreiam”

-Confúcio


Autor: Ms. Claudio Ribeiro é Terapeuta holístico, Educador físico, filósofo, psicopedagogo, mestre em artes marciais


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1 dez

BUSHIDO – Caminho do guerreiro

bushido

 

Na verdade, muitas pessoas por desconhecerem as Artes de Guerra (Budo), as discriminam, e muitas vezes com razão, pois hora outra vemos nos jornais praticantes envolvidos em brigas e fazendo mau uso do que lhe foi ensinado.

Bushido se traduz da seguinte maneira, “Caminho ético do guerreiro”, no caso o guerreiro é o samurai, que do japonês significa, aquele que serve.

O código de conduta “Bushido” escrito no inicio do século 20, foi baseado no budismo, xintoísmo e no confucionismo. O budismo fornece então a calma, a confiança, a compostura diante o perigo, o zen-budismo a preocupação com a alma. O xintoísmo enfoca o código moral, a lealdade ao soberano, reverência aos ancestrais e piedade com os filhos. O confucionismo oferece a principal fonte dos ensinamentos éticos e morais que são vividos até hoje como guias de conduta para uma sociedade melhor.

O que tornou os samurais os guerreiros mais famosos da história não foi o fato de serem os grandes defensores do Japão feudal, mas o fato de seguirem um código de honra na época não escrito, conhecido como Bushido cujos preceitos são:

– Retidão/Justiça, Coragem, Benevolência, Polidez, Veracidade/sinceridade, Honra, Dever/Lealdade.

Podemos aqui ressaltar que o praticante de qualquer arte marcial tem como princípio seguir uma conduta de bondade, sabedoria, autocontrole. A mentira e a falsidade não são encaradas como “pecado” mas como sinal de fraqueza de caráter, o que é uma desonra para o guerreiro e todo praticante que segue um caminho. Oss!

Referência:

Revista “A história dos Samurais” arte editora, ano I nº 6 – ano 2003.


Autor: Ms. Claudio Ribeiro é Terapeuta holístico, Educador físico, filósofo, psicopedagogo, mestre em artes marciais


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